Intérprete de LGP

Atualizado em 12 de março de 2018

Consideram-se intérpretes de Língua Gestual os “(…) profissionais que interpretam e traduzem a informação de língua gestual para língua oral ou escrita e vice-versa, por forma a assegurar a comunicação entre pessoas surdas e ouvintes”. Este trabalho é realizado em diferentes contextos: tribunais, hospitais, comunicação social, centros de saúde,… em todos os locais onde as pessoas surdas circulem, embora a maioria destes profissionais desempenhem as suas funções na educação, e mais especificamente, em escolas de referência para o ensino bilingue de alunos surdos (EREBAS).
O intérprete educativo deve ser conhecedor de métodos e técnicas de tradução e de interpretação de forma a fazer as melhores escolhas, neste processo que é muito rápido, mas sem ser automático. Assim, o trabalho do Intérprete de LGP (ILGP) transcende o trabalho meramente linguístico e abarca, também, as áreas culturais e sociais para se realizar um trabalho na íntegra e de forma clara. De igual modo, o trabalho do ILGP ao longo dos diferentes níveis de ensino é distinto, uma vez que as idades dos alunos surdos bem como os seus níveis de proficiência de LGP e a exigência nas aulas é diferente, o que vai determinar o desempenho e a adequação do ILGP mediante o seu público-alvo.
Dentro da sala de aula não se pode descurar que o professor é quem leciona as aulas e é quem tem a responsabilidade e autoridade máximas. Desta forma, o ILGP não é responsável por ensinar a matéria aos alunos surdos, mas deve sim possuir conhecimentos a nível de léxico gestual e de técnicas de tradução para que as aquisições dos alunos sejam as mais satisfatórias. Este profissional deve ainda dominar a LG que os alunos surdos utilizam (por vezes criam-se códigos gestuais para determinadas matérias) de modo a otimizar-se o tempo da aula.
Os ILGP devem colaborar com os professores para tentarem resolver situações problemáticas que enfrentam diariamente, concebendo alternativas que possam beneficiar todos os alunos. O ILGP tem um papel importante neste processo, uma vez que, de facto, pode e deve contribuir para uma escola de qualidade para os alunos surdos, uma escola bilingue.
O ILGP na escolaridade básica assume diferentes papéis e níveis de atuação. Assim, no nosso agrupamento, no 1.º ciclo, o intérprete está presente nas reuniões traduzindo, para o Docente de LGP, nas atividades extracurriculares e nas visitas de estudo, para os alunos. No que diz respeito aos 2.º e 3.º ciclos, o intérprete de LGP traduz as aulas, lecionadas pelos professores, para os alunos surdos. Neste contexto, o intérprete realiza um trabalho de colaboração com toda a equipa multidisciplinar especializada, corporizando o trabalho enquanto intérprete educativo, procurando responder às necessidades dos alunos e das suas famílias, sendo impreterível um compromisso comum de partilha de objetivos.
Uma outra situação em que o ILGP participa, no nosso agrupamento, é na criação e a construção de materiais bilingues para os alunos surdos, uma vez que esta é escassa no nosso país. É no dia-a-dia do trabalho com os alunos surdos e em colaboração com os docentes das diferentes disciplinas, com os docentes surdos, com os terapeutas da fala e com os docentes de educação especial, que o ILGP se depara com as dificuldades dos alunos bem como com a falta de material para trabalhar com os mesmos. É nesta direção e por forma a colmatar estas lacunas que faz todo o sentido a produção de materiais bilingues, sempre em estrita parceria na equipa multidisciplinar especializada.
Para a realização de todo este trabalho com qualidade e reconhecendo a importância das funções do ILGP, o número de intérpretes tem vindo a aumentar nas EREBAS, contando este agrupamento com 6 ILGP para fazer face às necessidades crescentes do mesmo.

Texto e vídeo da responsabilidade das intérpretes de LGP: Ana Rio, Anabela Reis, Inês Carvalho, Paula São Pedro, Sara Pinho, Sara Sousa.
Realizado na EB Eugénio de Andrade
© REDES/2014


Entrevista a Intérpretes de LGP

Atualizado em 12 de março de 2018

 

Na comemoração do Dia do Intérprete de LGP (2018) as alunas surdas da turma bilingue do 6º ano fizeram entrevistas a algumas intérpretes do Agrupamento.


Papel do Intérprete como Agente Educativo

 


Comunicação sobre o papel do intérprete de LGP feita no Encontro "Educação de Surdos: Passado, Presente e Futuro", em julho de 2012.
Autoria: Ana Rio, Anabela Reis, Paula São Pedro, Sara Sousa, Susana Rodrigues e Vanessa Ramos
Realizado na EB Eugénio de Andrade
© REDES/2015


Legislação sobre a atividade dos intérpretes de LGP

A Lei nº 89/99, de 5 de julho, define as condições de acesso e exercício da atividade de intérprete de língua gestual, explicitando, no seu artigo 2º que: "Consideram-se intérpretes de língua gestual portuguesa os profissionais que interpretam e traduzem a informação de língua gestual para a língua oral ou escrita e vice-versa, por forma a assegurar a comunicação entre pessoas surdas e ouvintes". Pode descarregar aqui a Lei nº 89/99, de 5 de julho