APECDA - Porto

Atualizado em 31 de agosto de 2017

A APECDA-Porto (Associação de Pais para a Educação de Crianças Deficientes Auditivas do Porto) foi constituída em 1979 por um grupo de pais preocupados com a falta de respostas do sistema educativo às necessidades dos seus filhos. Inicialmente com o estatuto de delegação distrital, veio posteriormente (tal como a APECDA de Braga) a autonomizar-se da sua homónima sediada em Lisboa. Instalou-se numa antiga escola cedida pela junta de frequesia de Campanhã, com instalações degradadas e que exigiram forte mobilização dos associados para uma reconstrução que qualificou aquele espaço.

APECDA

APECDA 2001
APECDA 2001

Inicialmente com base no método Verbotonal (oralista), e evoluindo progressivamente para conceções educativas enquadradas nos conceitos de «comunicação total», «bimodalismo» e bilinguismo, os docentes da APECDA, destacados pelo Ministério da Educação, prestavam apoio educativo individualizado e em pequeno grupo, bem como o acompanhamento diário da integração dos seus alunos surdos nos jardins de infância e escolas da rede pública das proximidades. A associação disponibilizava o transporte diário entre casa-escola, serviço de refeições, actividade desportiva semanal e acompanhamento social, psicológico e médico especializado (ORL), abrangendo anualmente, com respostas diferenciadas e adequadas às diferentes necessidades, mais de cinquenta crianças e jovens surdos.
O Clube de Jovens organizou actividades culturais variadas para promover o convívio dos surdos adolescentes e os seus amigos aos fins de semana e em férias, tendo criado um centro de férias em Mazouco, no concelho de Freixo de Espada-à-Cinta, com o apoio da câmara local e do CRSS-Bragança, que proporcionou às crianças e às suas famílias um espaço de lazer diferente do usual. O lar de apoio da APECDA-Porto foi uma estrutura de apoio domiciliar criada para oferecer alojamento, alimentação e condições de estudo às crianças e jovens sócios. Destinava-se ao apoio à escolaridade, pelo que não funcionava aos fins-de-semana nem durante os períodos de interrupção da actividade lectiva. Servia crianças que não encontravam na área de residência as estruturas educativas que a sua condição exigia.
Entre os projetos mais relevantes que realizou, a APECDA promoveu o «Projecto de Comunicação Tecnológica para Surdos», cofinanciado pelo Programa Ser Criança, do MSSS, o qual, em parceria com a Associação de Surdos do Porto e as Escolas do 2º e 3º Ciclos de Paranhos e Nicolau Nasoni, equipou os quatro pólos com equipamento informático, ligação à internet e telefones de texto, com vista a desenvolver a utilização das novas tecnologias da informação por crianças e jovens surdos. Outro projeto relevante, criado por protocolo com a associação angolana LARDEF, permitiu acolher quatro crianças surdas angolanas em famílias da associação e que, assim, puderam beneficiar de uma escolaridade que não lhes teria sido possível no país de origem.
A APECDA-Porto teve um papel significativo na reflexão sobre a construção de respostas educativas inovadoras para os surdos na região Norte, fosse pela colaboração com instituições de ensino superior nos estágios de formandos de educação especial, mas também pela intervenção direta e em rede, organizando múltiplos seminários, acções de formação e actividades culturais dirigidas a docentes, a pais e a crianças de outras escolas. Editou a revista COMMUNICARE (três números), dirigida a educadores e estudantes interessados na educação dos surdos e na problemáticas mais amplas da comunicação humana e outros documentos de informação sobre a deficiência auditiva, destinados à população.
A passagem do tempo e a assunção da «Escola para Todos» pelo sistema educativo português acabaram por tornar menos relevantes o objeto estatutário da APECDA-Porto e o papel educativo que tinha assumido, tendo-se a instituição dirigido a outros utentes e outros domínios de intervenção, que levaram inclusivamente a uma nova designação, a atual, que só manteve a sigla: «APECDA-Porto Associação de Educação e Desenvolvimento Social». (Texto de Eduardo Cabral)